
Médicos generalistas, especialistas, obstetrizes, farmacêuticos: são muitos os profissionais de saúde que prescrevem ou recomendam a homeopatia. Os números comprovam. Os depoimentos explicam. Um pediatra, uma generalista e uma obstetriz explicam seu interesse por essa terapêutica.
Especialidade médica reconhecida no Brasil
A homeopatia foi reconhecida como especialidade médica pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 1980, e desde 2006 integra, como especialidade médica, a Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares (PNPIC) do Ministério da Saúde.
A PNPIC foi aprovada em maio de 2006, por meio da Portaria MS/GM nº 971, e atualmente 29 práticas integram o rol de ofertas terapêuticas do SUS, incluindo a homeopatia.
Na França, 61% dos médicos generalistas utilizam medicamentos homeopáticos para tratar seus pacientes (1)
A homeopatia está realmente integrada à oferta de cuidados na França. Todos os dias, um médico em cada três recorre à homeopatia como complemento aos tratamentos convencionais que prescreve a seus pacientes (2). Entre eles, Marie-Hélène Amabile, médica generalista que pratica a homeopatia, explica as razões que a levaram a fazer essa escolha.
Os medicamentos convencionais e os homeopáticos são meios complementares. Integrá-los à nossa prática apresenta muitas vantagens: evita-se acrescentar medicações em excesso, não há interação com os outros medicamentos, não há efeito colateral conhecido e o risco de dependência é zero. A homeopatia trata todo mundo: do lactente ao idoso, passando pela gestante.
Marie-Hélène Amabile, médica generalista

Dos 20.000 médicos que prescrevem diariamente medicamentos homeopáticos na França, 4.000 têm uma prática especializada (3)
Os profissionais de saúde que praticam a homeopatia são médicos generalistas ou especialistas, assim como obstetrizes. Sua escolha de se formar em homeopatia corresponde a uma vontade de ampliar o espectro de suas respostas terapêuticas, para oferecer a seus pacientes soluções confiáveis e sem efeito colateral conhecido. Um pediatra, um médico generalista e uma obstetriz relatam as razões que os levaram a integrar a homeopatia à sua prática.
No Brasil, segundo o CFM, a homeopatia é praticada por cerca de 2.800 médicos habilitados, após residência médica ou prova de títulos pela AMB.

Comecei a tratar com homeopatia quando abri meu consultório em 1983. Na época, constatei que as patologias do consultório eram diferentes daquelas encontradas no hospital. Os tratamentos hospitalares (antibióticos, corticoides, entre outros) não me pareciam nada adaptados às patologias das crianças que vinham ao meu consultório. E foi a eficácia da homeopatia que me convenceu. Como pediatra, penso que tratar é bom, mas curar é melhor.
Pierre Popowski, pediatra
Os médicos que praticam a homeopatia são generalistas ou especialistas. São diplomados pela faculdade de medicina e escolheram, após seu curso, enriquecer sua prática com a homeopatia. Decidem então fazer uma formação complementar, seja em uma escola privada de homeopatia, seja em uma universidade cujo diploma é reconhecido pela Ordem dos Médicos.
Marie-Hélène Amabile, médica generalista

Foi quando comecei a exercer minha profissão de obstetriz que me interessei pela homeopatia. Eu queria ajudar as pacientes frustradas por ouvir que, se certos medicamentos não funcionassem, não tínhamos outras soluções a lhes propor, ou que existia um vazio terapêutico para certos males considerados benignos. Fiz então um diploma universitário em 2010. Hoje, atuo muito na sala de parto e tenho também um consultório no hospital; as pacientes me são encaminhadas por colegas ou pelos médicos do serviço.
Agnès Castor, obstetriz hospitalar

78% das obstetrizes autônomas na França recorrem frequentemente à homeopatia (4)
Desde 2011, as obstetrizes estão autorizadas a prescrever tratamentos homeopáticos. Agnès Castor é obstetriz há muitos anos na maternidade do hospital pediátrico Robert Debré (Paris). Ela optou pela homeopatia para acompanhar suas pacientes durante a gravidez, no parto e depois dele.
A automedicação não é permitida para gestantes. Consulte seu profissional de saúde antes de tomar um medicamento.
Não existem duas gestações, duas mães ou dois bebês iguais. Ora, a homeopatia permite propor um tratamento adaptado em função dos sintomas específicos de cada um. Ela intervém em primeira intenção ou como complemento aos medicamentos convencionais. É também muito útil em casos em que não é possível prescrever outro medicamento.
Durante a gestação, a homeopatia ajuda as gestantes que sofrem de náuseas, vômitos ou ainda hemorroidas. Ela pode atuar sobre o refluxo gástrico, a constipação ou as micoses.
Para as muitas mulheres que sofrem de distúrbios do sono, a homeopatia permite evitar chegar exausta ao parto.
Ela também alivia as dores ligamentares ou musculares e as insuficiências venosas, como a retenção de líquidos.
No momento do parto, a homeopatia atua mais particularmente sobre as dores das contrações. Ela ajuda as contrações a serem mais eficazes e o trabalho de parto dura menos tempo.
Após o parto, a homeopatia pode agir sobre as dores pós-operatórias, a episiotomia ou a cicatriz de uma cesariana. Certos medicamentos podem prevenir a fadiga e a anemia. Também posso trabalhar na prevenção de uma depressão pós-parto, se constato que uma mãe está eufórica demais ou triste demais.
Por fim, a homeopatia acompanha a amamentação: ela permite aliviar as fissuras, o ingurgitamento, a lactação intensa demais ou insuficiente. Posso também prescrever a uma mãe que não deseja amamentar um tratamento sob medida para inibir a descida do leite.
Agnès Castor, obstetriz hospitalar

50% dos cancerologistas se dizem abertos à utilização de medicamentos homeopáticos em cuidados de suporte (5)
A homeopatia figura entre as medicinas complementares que fazem parte do conjunto dos cuidados de suporte em oncologia. Ela intervém paralelamente aos tratamentos convencionais (quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia) e permite aos pacientes viver melhor sua doença e os efeitos indesejáveis de seus tratamentos, como a fadiga, a ansiedade ou a dor. Ela permite um cuidado adaptado dos sintomas, sem apresentar riscos de interações medicamentosas deletérias nem efeitos colaterais conhecidos.
ocê sabia?
Na oncologia, os cuidados de suporte visam assegurar uma qualidade de vida ideal ao paciente, ao longo de todo o seu percurso. Eles englobam o combate à dor; o manejo dos efeitos indesejáveis da quimioterapia, da radioterapia ou da imunoterapia; os problemas dietéticos; o apoio psicológico e social; a melhora da imagem corporal e os cuidados paliativos.
Apresentações do medicamento homeopático
Os medicamentos homeopáticos se apresentam principalmente sob duas formas:
· O tubo de glóbulos, que contém cerca de 80,
· E a dose (composta de microglóbulos), a ser tomada de uma só vez.
· Eles existem também sob a forma de xaropes, comprimidos, unidoses, gel ou pomadas.
Os medicamentos homeopáticos estão presentes nos hospitais na França
Prescritos por profissionais hospitalares (médicos generalistas, especialistas ou obstetrizes), os medicamentos homeopáticos atendem às mesmas exigências de confiabilidade e de segurança que os medicamentos convencionais. As substâncias de origem vegetal, animal, mineral/química que entram em sua composição são rigorosamente selecionadas. Sua fabricação é altamente regulamentada e é objeto de controles rigorosos. Estão inscritos nas farmacopeias francesa e europeia desde 1995 e são registrados como medicamentos pelas agências de saúde de muitos países.
(1) ICOMED, médicos generalistas 2012, painel de 20.395 médicos (em exercício autônomo).
(2) Estudo realizado pelo IPSOS para Weleda/Lehning/Boiron junto a 302 médicos generalistas autônomos representativos da população pesquisada. Pesquisa realizada entre 4 e 13 de março de 2019. Se nos permitirmos extrapolar para os 58.400 médicos generalistas autônomos em atividade no território (fonte: CNOM 2017), isso representa 20.000 médicos generalistas franceses que prescrevem diariamente medicamentos homeopáticos. Vale notar que metade dos médicos generalistas (51%) declara prescrevê-los pelo menos uma vez por semana.
(3) Dados provenientes dos fabricantes de medicamentos homeopáticos.
(4) Estudo IMAGO conduzido em 2013 junto a 212 obstetrizes (exercício autônomo).
(5) Estudo “Oncologia, cuidados de suporte e homeopatia” realizado junto a 150 profissionais da oncologia (70 oncologistas, 40 hematologistas, 40 radioterapeutas) pelo instituto AplusA, de 24 de junho a 1º de agosto de 2014.



